quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

A fonte das coisas imperfeitas


 

 

 

na criação do Universo

de inconcebível perfeição

alguém esqueceu de cobrir um buraco

 

nesse mesmo buraco inocente

caíram – ou foram jogadas –

todas as coisas que não deram certo

 

de tanto derrubarem lá

o que não funciona direito

acabou ficando cheio

 

se um dia a misericórdia

permitir que alguém o encontre

e, pior, se puder consertá-lo

 

será o fim da ciência

do amor, da poesia

e de todos os nossos medos

7 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Gostei do contexto 'as dúvidas e incertezas - molas motoras do universo', ou ao menos do universo inteligível...
    Aos meus olhos só não pareceu muito 'poético', mas afinal, o que é poesia?
    Ignorando a minha retórica, achei o texto inteligente e interessante, só não me tocou como espero das poesias.
    abraços

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  3. Corrigindo
    Bacana. Concisa e boa na medida em que diz sser a criação fruto dos limites, da busca pelo sublime. Suficientemente imperfeita. quase perfeita pra não fugir do humano .

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  4. Mais uma poesia que fala da existência e do universo. Gostei pq ando cansada das mesmices e Mr V sempre vem com inovações.
    O buraco do mundo onde todas os dejetos são lançados é temido e ao mesmo tempo necessário.Há muitas possibilidades. Típica poesia que cada leitura descubro outro enfoque.

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  5. ah, também gosto mto deste!
    a idéia de que a imperfeição - a falta, o oco, o que causa o desejo - é que move o mundo e a vida é profundamente psicanalítica... combina muito com meu modo de compreender o ser humano e o nosso entorno... a metáfora de um "buraco onde se joga tudo o que não deu certo", poderia bem usar numa aula sobre o inconsciente freudiano... muito bom mesmo, guri!

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