
Sensorial,
sensitiva,
afetiva,
paradoxal.
Ódio; calor,
Frio; amor,
Vento vai,
Penso; sou,
Vento volta;
Apagou.
Sou,
sendo sem ser.
Sinto querendo ver,
vejo querendo ser,
sinto, vejo e sou
o não querer.
Vivo,
finjo,
finjo que vivo,
vivo fugindo.
Sou,
sendo sem ser,
quero com poder,
posso sem querer,
quero sempre
o não poder.
Sinto logo vivo,
quero logo sou...
Posso?
Desisto!
Não sei pra onde vou...
Eu nem deveria tecer comentários sobre este poema, pois sou pra lá de suspeita pra tal.
ResponderExcluirEste 'poemito' de que tanto gosto, já deu crias - uma na minha prole e outra 'criação conjunta' - sim: Taty (fuxy) e eu reproduzimos e o nome do nosso filhote é 'sinestesia (III) fim'.
Portanto eu só digo que este poema é realmente aquilo que ele se propõe a ser:
sensorial, sensitivo e sinestésico - no mais amplo sentido da palavra!
por isso (completando) - cuidado: vários efeitos colaterais já foram relatados, mediante exposição prolangada à este poema - não se perca no labirinto de sensações.
ResponderExcluirEle pode também englobar vocês! (risos)
Beijus Fuxi
muito bom, taty!
ResponderExcluir"quero, logo sou" é um verso ótimo... fala poeticamente o que um monte de gente já tentou teorizar...
Muito bom, Tathy
ResponderExcluirO título do poema avisa e o poema confirma a esponteneidade que você estabelece entre o que percebe e como compreende, pelo sentimento, o que acabou de lhe afetar. Evocações em graciosa construção.
Ódio; calor,
Frio; amor,
Vento vai,
Penso; sou,
Vento volta;
Apagou.e depois mais centrada, não menos espontânea, Sinto logo vivo,
quero logo sou...
Posso?
Desisto!
Não sei pra onde vou...A primeira estrofe com o título , a meu ver, diluem o começo. Eu começaria direto pela segunda.
Evidentemente, eu-lírico e poeta são entidades muito próximas. Neste aqui, é visível a intensidade com que a chegada de um novo paradigma (uma vida nova, uma casa nova, um dígito novo na conta dos anos de vida...) mexem com os brios da poeta, e fazem com que o eu-lírico se manifeste tão veementemente relutante a isso, dizendo:
ResponderExcluir"sinto, vejo e sou / o não querer."
É um poema-chave para compreender os demais desta série - ainda que alguns refiram-se mais especificamente ao amor, o que dá algumas pistas sobre o que seja esse novo paradigma...
O eu-lírico expõe aqui seu estado: a perplexidade, traduzida do início ao fim em paradoxos. É característica da poeta expressar sua angústia (termo mais de uma vez encontrado nesta série) por oposições: ser ou não ser - poeta; menina/mulher; criança/adulta; eu de fato/eu "fingido" (no caso, este eu que fala, o poético, é um dos eus-fingidos).
E, com uma sentença, indecisa se uma afirmação ou um questionamento, encerra:
"Não sei pra onde vou..."
É um poema que, se não causa inquietação no leitor, remete às inquietações do eu-poético (e, portanto, da poeta). E isso, nada mais é do que lirismo: primeiro, tenho que encontrar em mim o que me incomoda.
Há uma diferença entre "incomodar" ou "inquietar(-se) e "desacomodar". Talvez esse seja o próximo passo da poeta: quem sabe, na próxima rodada, teremos poemas incômodos. E, quem sabe até, desconcertantes.
Eu aposto minhas fichinhas...